Esta é uma das coisas mais interessantes que eu vi em termos de projeto de interface no ano passado. Fiquei guardando e aguardando pra comentar, esperando saírem novidades, modelos testáveis, demo, qualquer notícia. Mas acho que talvez ainda vá demorar mais um pouquinho.
Tal qual o trabalho do doido Johnny Lee, esse projeto me deixa muito empolgado com relação às possibilidades vindouras. A demonstração dele no TED é divertidíssima de se ver.
Penso eu, entretanto, que ainda haja algo que se amadurecer, não só em termos de tecnologia mas de modelo de uso mesmo. Não sei se transformar o desktop bidimensional numa espécie de caixa ou sala onde se manipula arquivos é a melhor saída para o uso cotidiano. Mas, só a idéia bruta em si é muito, muito ducaralho. E o próprio uso da coisa em si, com a sintaxe de gestos-comandos, a sensibilidade da simulação de física dos objetos e tudo mais é muito legal de se ver. Vendo coisas como estas, mais o Surface, mais todos esses novos modelos de uso que vêm com o Wii, iPhone, Nokia N95 e o escambau realmente dão aquela sensação divertida de “família Jetson, aí vamos nós…!”.
Trabalhamos no computador com metáforas do mundo real, e regrinhas básicas da boa usabilidade rezam que modelos de uso são construídos por repetição. Ninguém (espero) mais usa disquetes, mas o símbolo do disquetinho ainda é um modo inequívoco de dizer “salvar”. Ainda pensamos em termos de pastas, caixas, etc.. Todavia — e isso é importantíssimo! — uma vez que essas novas coisas se incorporam à cultura, viram base para novas metáforas das metáforas. Muita gente anunciou o apocalipse da folcsonomia, muita gente usou onde não precisava, mas tá aí, incorporada, e não dá pra pensar em nada parecido com Flickr, Deli.cio.us e afins sem isso. Então, creio eu, estamos vendo o comecinho dessa segunda camada de metáforas das metáforas que vai permitir o uso popular e massificado de interfaces cada vez mais interessantes e menos calcadas no “mundo real”. Veja bem, não me considero um especialista no assunto (ainda!) mas certamente há gente séria e genial trabalhando em modelos malucos de interface humano computador há anos… quando digo “comecinho”, estou falando sobre estes novos modelos de uso se tornarem, como disse, populares e massificados.
Ficam me devendo ainda a máquina de teletransporte e os carros voadores. Mas eu vou esperar mais um pouco.
Clique com o ponteiro do mouse, ou as mãos, se puder: bumptop.com