Não. Sério. Mais alguém sentiu que tinha acabado de tomar uma surra depois de assistir esse filme? Até agora não sei se entendi e começo a crer que na verdade não é algo a ser entendido, mas simplesmente “experimentado”. Ciência, arte e fé em confronto. Culpa e desesperança como ponto de partida pra conversa e uma condução da história que vai ajudando (ou obrigando) o espectador a se colocar cada vez mais dentro da pele de cada um dos três sujeitos, em momentos diferentes de acordo com as pré-disposições ou predileções do freguês.
Franqueza. Tem um monte de coisas que me escapam e esse filme merece ser visto e revisto algumas vezes ainda. Mas, putamerda, os quadros e aquela câmera que “invade” tudo o tempo todo são foda de lindos. O ambiente em que a coisa toda se passa é simplesmente do caralho. Incômodo, angústia, desconforto, medo, tensão, tudo acontecendo ao mesmo tempo, transpirando nas feições e nos diálogos dos caras, se refletindo na desgraceira de destroços e entulho que é a zona… afemaria… uma salada de fragmentos, mas não do tipo “pós-moderno”, calcado mais na provocação emocional e no furor. Não creio. Me parecem mais fragmentos todos cuidadosos, todos provocativos. Cada um se sobrepondo ao anterior e te cutucando… é foda. Bem loco mesmo. Vale a pena.
Eduardo Marques Tanaka




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